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No
gabinete pastoral ou em qualquer outra situação que um obreiro do Senhor se
relacione com as pessoas, irá se deparar com problemas e com complicações.
Muitas vezes, nos sentimos tão impotentes diante das dificuldades daqueles que
nos cercam, que precisamos de alguns referenciais de conduta diante das lutas
alheias para não nos frustramos no ministério. Quando
um aflito busca um ministro do evangelho por que está em tribulação, sempre
espera uma solução, uma resposta positiva, uma oração de fé. Por isso, o
ministério pastoral é tão imprevisível, mas, ao mesmo tempo, tão
desafiante. E esse desafio somente pode ser vencido quando seguimos os
referenciais aprovados por Deus. Assim, vemos na Palavra escrita atitudes de
homens de Deus que foram instrumentos de bênção na vida de sofredores, a
esses devemos imitar. Uma
narrativa do Segundo Livro dos Reis de
Israel, no início do seu quarto capítulo, conta a história de certa
mulher, que era viúva de um profeta. Diz o texto sagrado que ela foi falar com
o profeta Eliseu, pois estava em grande aperto porque seu marido morrera.
Declarou-lhe que como era do conhecimento do homem de Deus, seu esposo era
temente a Jeová. Mas, naquele momento, um credor a quem o finado devia veio
para levar os seus dois filhos a fim de serem escravos, como pagamento da dívida.
Aquela senhora precisava de uma solução urgente
para o seu problema, pois, com certeza, os filhos estavam prestes a serem
arrastados de casa. Quantas vezes nós, no ministério pastoral nos deparamos com problemas semelhantes ou até piores que esse defrontado pelo grande profeta Eliseu? Continuando a ler a narrativa citada, veremos que Eliseu nos ensina como agir quando as pessoas nos trazem problemas. Nessa reflexão, quero convidar o leitor a observar como o sucessor de Elias agiu diante de tão grande dificuldade. A partir da atitudes desse servo de Deus, constatamos cinco atitudes que devemos tomar quando o Senhor nos quer usar para resolver as tribulações daqueles que nos procuram aflitos.
LEVAR
OS AFLITOS A VALORIZAREM O RECURSO INICIAL
Diante
do desespero da pobre viúva, Eliseu perguntou: “O que posso fazer por você?
Diga! O que é que você tem em casa?” “Não tenho nada, a não ser um jarro
pequeno de azeite!” - respondeu a mulher.
A
primeira ação a ser tomada, quando as pessoas problemáticas nos procuram por
causa das suas lutas, é fazê-las reconhecer algum recurso inicial que tenham.
A viúva não tinha nada em casa a não ser um jarro pequeno de azeite. Essa
exigüidade de recursos (aos olhos humanos) era mais que suficiente para o Todo
poderoso, através da instrumentalidade do Seu servo, operar um grandioso
milagre. Podemos prever que esse azeite era o comestível, mas alguém poderá
pensar que também, pudesse ser uma espécie de óleo perfumado. Os judeus tal
como os gregos e os romanos ungiam-se com óleo fragrantes depois de tomarem
banho. Esse azeite era um artigo de luxo.
O
senhor Jesus Cristo, em seu ministério terreno, também fez os necessitados
reconhecerem o recurso inicial que possuíam. Diante da multidão de cinco mil
homens com mais outras tantas mulheres e crianças, Ele testou Filipe: “Onde
compraremos pão, para estes comerem?”. Ele “bem sabia o que havia de
fazer”. Iria multiplicar a merenda de um rapaz (cinco pães de cevada e dois
peixinhos). Jesus estava ensinando seus primeiros obreiros a valorizarem o
recurso inicial.
Em
uma outra ocasião, quando Jesus e os discípulos chegaram à cidade de
Cafarnaum, os cobradores do imposto do Templo foram perguntar a Pedro: “O
mestre de vocês não paga o imposto do Templo?”, ao que Pedro respondeu:
“Paga, sim!”. Depois, Pedro entrou em casa, mas, antes que falasse alguma
coisa, Jesus disse: “Simão, o que é que você acha? Quem paga impostos e
taxas aos reis deste mundo? São os cidadãos do país ou são os
estrangeiros?” “São os estrangeiros!” - respondeu Pedro. Jesus replicou:
“Certo! Isso quer dizer que os cidadãos não precisam pagar. Mas nós não
queremos ofender essa gente. Por isso vá até o mar, jogue o anzol e puxe o
primeiro peixe que você fisgar. Na boca dele você encontrará uma moeda. Então
vá e pague com ela o meu imposto e o seu”. Naquele momento, o apóstolo Pedro
não estava sendo levado a valorizar o recurso inicial? Isto é, a capacidade
que ele havia desenvolvido na sua vida profissional? Será que, naquela situação,
Jesus não fez Pedro valorizar o fato de ele saber pescar? A pessoa que perdeu a
moeda nas águas, não a perdeu por acaso; o peixe que se entalou com a moeda
também não a confundiu com comida por acaso. Deus estava proporcionando um
recurso inicial. Jesus continua nos fazendo valorizar o recurso inicial.
O
obreiro deve ensinar o povo a valorizar o que já se tem, pois todo milagre começa
com um recurso inicial. Bartimeu pôde receber a vista porque ainda ouvia e
podia gritar. Os noivos em Caná da Galiléia não passaram vergonha na sua
festa de casamento porque tinham água potável suficiente para ser transformada
em vinho.
Sempre
há para o aflito um recurso inicial. Para mulher que nos chega aflita com um
marido descrente, talvez esse homem tenha um pouquinho de temor de Deus. Para o
pai de família que nos procura desesperado por causa do desemprego, talvez
possua uma Carteira de Trabalho com pelo menos um registro. Para o jovem
reprovado no vestibular que busca consolo em nossas palavras por causa de uma
prova de Química arrasadora, talvez tenha notas razoáveis em outras matérias.
Para o auxiliar de trabalho que chega confessando seu fracasso diante o desafio
de liderar um ponto de pregação, talvez tenha uma capacidade inata para
realizar importantes trabalhos burocráticos. Para o enfermo que chega com um
diagnóstico médico desesperador, depois de lermos algumas passagens bíblicas
sobre o poder de Jeová Rafá, pode
desenvolver dentro do seu espírito uma fé que gera uma cura divina. Sempre há
para o aflito um recurso inicial. Nós, obreiros do Senhor, precisamos olhar com
olhos espirituais os recursos iniciais e ensinar o povo a valorizá-los. LEVAR
OS AFLITOS A
viúva da passagem que começamos analisar inicialmente estava aflita com a
possibilidade de seus filhos tornarem-se escravos do credor. Ele
teria tido o direito de escravizar o seu marido em pagamento da sua dívida;
agora passa poder exercer esse direito sobre os filhos do devedor. A
escravidão era um aspecto profundamente arraigado da estrutura social e econômica
do antigo Oriente Próximo e do mundo greco-romano. A escravatura era permitida
pela lei de Moisés em casos como este, pois Deus respeita o direito de
propriedade; entretanto, uma das razões da insolvência das pessoas na antigüidade
era as abusivas taxas de juros que se cobravam. Um israelita estava acostumado a
vender-se a si próprio para pagar dívidas vencidas que não podia saldar. As
leis dos livros de Êxodo (21.2-4) e de Deuteronômio (15.12) tratam desse caso.
Diante
da perspectiva funesta de ver os seus filhos tornarem-se escravos do credor, a
mulher desesperada procura o profeta Eliseu, que lhe deu a primeira orientação:
“Vá pedir que os seus vizinhos lhe emprestem muitas vasilhas vazias”. Antes
de dizermos que a fé
da viúva seria medida pelo número de vasilhas que ela juntasse, podemos dizer
que o tamanho da bênção iria ser definido pela quantidade de boas amizades
que essa mulher tinha mantido até aquele momento. Imagine se ela vivesse
encrencando com os vizinhos; se fosse uma fofoqueira; se emprestasse e não
pagasse; se fosse uma caloteira, teria perdido seus dois filhos. Mas, pelo fato
de ter amizade com toda vizinhança pôde receber a bênção de Deus. Em sua
vida, cumpriu-se as palavras de Salomão: “melhor
é o vizinho perto do que o irmão
longe” (Pv 27.10b).
Os
ensinadores da Palavra precisam enfatizar que a amizade é uma atitude que a
Palavra do Senhor exalta, conforme vemos nas palavras do sábio Salomão: “O
homem que tem muitos amigos pode congratular-se, mas há amigo mais chegado do
que um irmão” (Pv 18.24). Jesus ensinava a importância de se nutrir bons
relacionamentos de modo extremamente prático. E a maneira com que Jesus
desenvolvia a sua amizade com os pecadores incomodava os fariseus, ao ponto de
esses religiosos o acusarem de “amigo dos publicanos e dos pecadores”. A
viúva de quem estamos fazendo referência nessa meditação foi abençoada
porque tinha amigos. Nunca Deus irá operar um milagre em meio a desavença.
Nunca o poder de Deus irá se manifestar a pessoas que não consigam ter comunhão
sincera com o seu próximo. Eliseu mandando aquela pobre senhora emprestar
vasilhames vazios levou-a a testar o grau de amizade que havia desenvolvido. Um
dos desafios para os obreiros contemporâneos nesse tempo de tantas inimizades,
concorrências e competições é levar o povo a desenvolver amizades genuínas. LEVAR OS
AFLITOS A INVESTIREM Antes
do milagre acontecer na vida daquela família, Eliseu também disse a mulher:
“... Depois, você e os seus filhos entrem em casa, fechem a porta e comecem a
derramar azeite nas vasilhas. E vão pondo de lado as que forem ficando
cheias”. Foi preciso ela e os filhos entrarem em casa e fechar a porta. Eliseu
mostrou a mulher que Deus não quer operar o milagre diante dos olhos dos
curiosos. Nós, os pregadores e ensinadores da Palavra precisamos ensinar ao
povo de Deus que o Senhor quer que desenvolvamos intimidade com Ele. O
Senhor Jesus, em Seu ministério terreno, mostrou o quanto ele valorizava essa
intimidade. Ele vivia envolvido por grandes multidões; entretanto, escolheu
trinta e cinco duplas para anunciarem o evangelho do Reino; desses primeiros
obreiros, tinha doze mais chegados a quem os chamou de apóstolos; dentre eles
havia três mais próximos de si; e deles, João era o que tinha mais
intimidade. Quando
Jesus quis se transfigurar não o fez diante da multidão; nem tão pouco diante
de todos os doze. Levou ao monte os três mais íntimos e lá se transfigurou de
um modo maravilhoso à vista de Pedro, Tiago e João. Os mistérios profundos
somente são revelados para quem tem intimidade com Cristo. Quando o Senhor
desceu do monte da transfiguração, uma grande confusão estava formada lá
embaixo com os nove discípulos que haviam ficado. Não puderam expulsar uma
casta de demônio mudo que afligia um filho de um pai aflito. E os escribas
disputavam com os discípulos frustrados. Depois de Jesus resolver a confusão,
expulsando o espírito maligno, diz o Evangelho narrado por Marcos: “E, quando
entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram à parte: Por que o não
pudemos nós expulsar? E disse-lhes: Esta casta não pode sair com coisa alguma,
a não ser com oração e jejum” (Mc 9.28,29). Os discípulos somente puderam
desabafar e saber o porquê do seu fracasso, depois que literalmente entraram em
casa e puderam conversar à parte com o Senhor. Nós, os obreiros do Senhor
precisamos aprender a sermos sinceros e aprendermos a confessar nossos fracassos
nos momentos de intimidade com Jesus. Ele vai nos orientar. Ele
orientou cada discípulo a orar de modo diferente dos religiosos da época
deles: “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta,
ora a teu Pai, que vê o que está
oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará” (Mt 6.6).
Esse “tu” mostra que o Senhor estava ser referindo a uma intimidade pessoal
que cada um deveria desenvolver. Segundo alguns especialistas, a palavra grega
para “aposento” usada é tameion,
expressão que designa a sala-depósito onde podiam guardar-se os tesouros.
Assim, a implicação pode ser de que no quarto íntimo em que o crente ora
normalmente já existem tesouros à sua espera, sobre os quais pode sacar e aos
quais pode acrescentar, na intimidade com o Pai. Precisamos enfatizar esse
ensino ao povo de Deus. Para
solução das aflições, é preciso que falemos para os necessitados como
Eliseu disse à pobre viúva: “você e os seus filhos entrem em casa, fechem a
porta”. Jesus antes de ressuscitar a filha de Jairo “não permitiu que alguém
o acompanhasse, senão Pedro e os irmãos Tiago e João; depois, mandou sair a
todos, tomou o pai e a mãe da criança e os que vieram com ele e entrou onde
ela estava. Tomando-a pela mão, disse: Talitá
cumi!, que quer dizer: Menina, eu te mando, levanta-te! Imediatamente, a
menina se levantou e pôs-se a andar; pois tinha doze anos. Então, ficaram
todos sobremaneira admirados” (Mc 5. 37-42).
Jesus ensina-nos a investir na intimidade. Nós, os ministros do Evangelho,
precisamos ensinar aos aflitos que os milagres só acontecem quando mantemos uma
intimidade com o Senhor. LEVAR
OS AFLITOS A EXERCITAREM A FÉ Deus
nos mostra, através da atitude do profeta Eliseu nesse milagre da multiplicação
do azeite da botija, que a solução dos problemas das pessoas aflitas reside no
exercício da fé. Eliseu levou aquela viúva a crer na sua palavra, como era um
homem de Deus, sua palavra também era a Palavra de Deus. A mulher confiava no
profeta e obedeceu literalmente sua orientação. Foi para casa com os filhos,
fechou a porta, pegou o pequeno jarro de azeite e começou a derramar o azeite
nas vasilhas, conforme os seus filhos as iam trazendo. Quando todas as vasilhas
estavam cheias, ela perguntou se havia mais alguma, ao que um de seus rapazes
respondeu: “Essa foi a última!”. Então o azeite parou de correr. Se ela
tivesse conseguido uma quantidade de vasilhas muito superior àquela que
arrumara, teria ficado rica, pois a medida de Deus não é pequena. Mas, o
milagre somente pôde ocorrer porque o profeta de Deus tinha uma palavra de
esperança para falar; e também porque a viúva creu na Palavra do homem de
Deus.
Hoje,
as pessoas que entram em nossos templos estão apavoradas com os problemas do
cotidiano; estão assustadas com as terríveis notícias veiculadas pela mídia;
estão angustiadas pela perspectiva de derrota que paira sobre suas cabeças.
Por isso, nós os pregadores do novo milênio temos a responsabilidade de
neutralizar todo o ataque do inimigo com os quais as pessoas sofrem, bem como
transmitir nada mais que o Evangelho, pois “a fé vem pelo ouvir, e o ouvir da
Palavra de Deus”. Muitos não têm visto os milagres de Deus porque, ao invés
de pregarem o próprio Evangelho, conforme a Palavra orienta, pregam os efeitos
dele, ou até mesmo pregam tudo, menos o Evangelho.
Uma
passagem que bem ilustra o fato de que pregar o Evangelho leva a pessoas a
exercitarem a fé é aquela narrada por Lucas: Quando Paulo e Barnabé fugiram
para Listra e Derbe, cidades do distrito da Licaônia, e para as regiões
vizinhas. E ali anunciaram o evangelho (eis o segredo!). Na cidade de Listra
havia um homem que estava sempre sentado porque era aleijado dos pés. Ele havia
nascido aleijado e nunca tinha andado. Esse homem ouviu as palavras de Paulo
(que era o Evangelho puro!), e Paulo viu que ele tinha fé para ser curado. Então
olhou firmemente para ele e disse em voz alta: “Levante-se e fique de pé! O
homem pulou de pé e começou a andar” (At 14.6-10). Para
as maravilhas de Deus ocorrerem é preciso fé, e a matéria-prima da fé é a
Palavra do Senhor. Vamos ajudar os aflitos despertando e desenvolvendo neles uma
fé que Deus já lhes deu. LEVAR
OS AFLITOS A TORNAREM-SE INDEPENDENTES Na
passagem que estamos meditando como texto básico, quando todas as vasilhas
estavam cheias, não tendo mais recipientes vazios, e o óleo da botija do
recurso inicial parou, a viúva procurou novamente o profeta Eliseu,
perguntando-lhe o que deveria fazer (ela dependia da orientação do vidente). Aí
ele disse: “Venda o azeite e pague todas as suas dívidas. Ainda vai sobrar
dinheiro para você e os seus filhos irem vivendo”. Eliseu
torna-se um exemplo de obreiro também pela última orientação dada à mulher.
Ele levou aquela família a valorizar o recurso inicial; fez com que
reconhecessem o valor da amizade; despertou-os para juntos buscarem uma maior
intimidade com Deus; levou-os a exercitarem a fé no milagre; mas, por fim,
deu-lhes uma orientação que revela que desejava que eles se tornassem
independentes: “Venda
o azeite e pague todas as suas dívidas. Ainda vai sobrar dinheiro para você e
os seus filhos irem vivendo”.
Eliseu
não saiu de porta em porta oferecendo o azeite para a população da cidade.
Esse era o trabalho da mulher e de seus filhos. O profeta despertou neles a
independência. Ele entendia que o ministério de um homem de Deus não é ficar
paparicando pessoas já abençoadas. Obreiros que tratam o povo com paternalismo
exagerado prejudicam o crescimento espiritual dos crentes. Jesus
despertava nas pessoas o desejo pela independência. Por que Ele perguntou a
Bartimeu e para o paralítico no tanque de Betesda: “O que queres que te faça?”.
A pergunta não revela ignorância diante da necessidade desses desgraçados.
Todavia, o Senhor, na verdade, estava questionando: “Você vai mudar de
vida?” “Você está disposto a parar de depender dos outros?” “Você vai
parar de pedir esmola, e vai procurar trabalhar com as próprias mãos?” Jesus
também foi o padrão de obreiro que desafia as pessoas a serem independentes, a
evoluírem, a conquistarem a verdadeira liberdade a cada dia. Vamos exercer também
um ministério libertador.
Robson Brito é educador, conferencista;
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